São Paulo teve nos últimos dias extensos debates sobre a Centro-Direita internacional, no âmbito do encontro da Internacional Democrata de Centro (IDC-CDI), ocorrido pela primeira vez no Brasil, desde 1960, quando se deu a fundação da entidade, que é a maior organização de partidos políticos do mundo. Recepcionado pelo PSD e organizado pela Fundação Espaço Democrático, o encontro contou com a presença do presidente da IDC-CDI, Andrés Pastrana, ex-presidente da Colômbia, e do presidente do PSD e do Conselho Superior de Orientação da Fundação, Gilberto Kassab.
Foi também aprovada no âmbito da IDC-CDI a “Declaração de São Paulo”, principal documento das atividades, com foco na conjuntura política e apresentado pelo PSD (clique aqui e leia).
Nos dias de debates, com a participação de representantes de partidos políticos de dezenas de países e também com a eleição da nova direção da IDC-CDI – o PSD indicou o seu líder na Câmara dos Deputados, Antonio Brito, como um dos vice-presidentes (leia mais abaixo), também ocorreu o Fórum “Concertação Democrática: a Centro-Direita construindo pontes e apontando soluções na política”, sob organização das Fundações Espaço Democrático, do PSD e Konrad Adenauer, da Alemanha, que tem representação no Brasil.
À presença de representantes de partidos políticos de diferentes países e da IDC-CDI, se somaram o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito, diversos parlamentares do partido e também outras lideranças.

Pastrana, Kassab e López-Istúriz em evento da IDC-CDI
A abertura foi feita pelos presidentes Pastrana e Kassab e por Maximilien Hedrich, representante para o Brasil da Fundação Konrad Adenauer. O eurodeputado espanhol Antonio López-Istúriz, secretário-geral da IDC-CDI, também participou de todas as atividades.

Andrés Pastrana discursa durante evento em São Paulo
Andrés Pastrana alertou para o paradoxo que o mundo vive hoje: o “Estado de Direito está sitiado pelos extremos de direita e esquerda”. Citou, como exemplo, a Venezuela: “As democracias do mundo precisam reconhecer o presidente de fato do país, Edmundo González”, disse. Segundo ele, “é necessário lutar pelo Estado de Direito na América Latina”. Outro ponto destacado por Pastrana foi o populismo. “Hoje, enfrentamos, de um lado, o populismo de direita, e, de outro, o de esquerda”.

Gilberto Kassab em evento da IDC-CDI
Gilberto Kassab destacou em sua fala na abertura do evento que a centro-direita na América Latina está fragmentada e numa encruzilhada histórica. “O campo reúne liberais, conservadores sociais, democratas-cristãos e libertários, uma variedade que dificulta coalizões e agendas claras”. Segundo ele, o grande desafio da centro-direita é equilibrar responsabilidade fiscal, inclusão social, competitividade econômica e sustentabilidade ambiental”. Kassab defendeu que a centro-direita se reposicione como defensora da democracia e da institucionalidade. “A renovação precisa combinar crescimento com inclusão e novas pautas sociais, incorporar novas lideranças, construir reputação de integridade, ampliar a presença além das elites urbanas e dialogar com movimentos sociais e atores cívicos”.

Maximilian Hedrich, representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil
Maximilian Hedrich, representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, destacou que a organização está no País desde 1969 e que o encontro do qual a Fundação do PSD foi a anfitriã pode ser o início de um processo.
“Nós gostaríamos muito de trabalhar mais na política brasileira e este pode ser um começo”, pontuou em sua fala Hedrich.

Kassab com Antonio Brito, Guilherme Afif Domingos e Andrés Pastrana durante entrevista à imprensa
Fórum Concertação Democrática
Na sexta-feira (21), o Fórum “Concertação Democrática: a Centro-Direita construindo pontes e apontando soluções na política” reuniu dezenas de lideranças políticas, acadêmicos e personalidades de governo e órgãos legislativos de diversos países.
O primeiro painel de debates na sexta-feira, com o título “Navegando entre os extremos em uma era de mudanças”, teve o secretário-geral da IDC-CDI, Antonio López-Istúriz como moderador e reuniu Filip Ivanović, vice-primeiro-ministro para Relações Exteriores e Assuntos Europeus de Montenegro; Dolors Montserrat, secretária-geral do Partido Popular Europeu e vice-presidente do Grupo Popular Europeu no Parlamento Europeu; Andrés Rugeles, vice-presidente do Conselho Colombiano de Relações Internacionais (CORI), membro associado da Universidade de Oxford e membro do Conselho Consultivo da Unidade do Sul Global da London School of Economics (LSE); Antonio Brito, líder da bancada do PSD na Câmara Federal; e Andrej Plenković, primeiro-ministro da Croácia, que enviou uma mensagem de vídeo para o encontro.

Antonio López-Istúriz participa das atividades da IDC-CDI
Filip Ivanović, de Montenegro, relatou o processo de integração de seu país à União Europeia, que já dura 13 anos e se aproxima do final. Segundo ele, o futuro da UE está na ampliação do número de países-membros.

Painel teve debates sobre extremismos
Dolors Montserrat fez um alerta: o de que a União Europeia passa por um dos momentos mais delicados desde a sua criação.

Eurodeputada Dolors Montserrat em sua apresentação
Antonio Brito falou sobre a importância do PSD no cenário político atual, contaminado pela polarização entre direita e esquerda, segundo ele um fenômeno que é comum à América Latina hoje. “Nosso continente é pendular, balança entre a direita e a esquerda e é necessário navegar entre esses dois polos”, defendeu, referindo-se ao centro. Para ele, o sistema eleitoral deve ser redesenhado. “Precisamos adotar o voto distrital misto para aproximar o eleitor do seu representante”, disse, enfatizando que trata-se de uma agenda do PSD.

Líder do PSD na Câmara dos Deputados participou do Fórum
Rugeles destacou que se trata de uma “mudança de época, que vai alterar profundamente as relações internacionais”.

Dirigentes partidários e lideranças políticas acompanharam atividades
Mundo em transformação
O segundo painel do dia, “A narrativa de Centro-Direita em um mundo em transformação”, teve moderação de Henning Suhr, diretor do Programa Regional sobre Partidos Políticos e Democracia na América Latina da Fundação Konrad Adenauer. Participaram dos debates o checo Tomas Zdechovsky, membro do Parlamento Europeu; o professor Silvério Zebral Filho, da Universidade George Washington; o búlgaro Andrey Kovatchev, membro do Parlamento Europeu, Muhaimim Iskandar, vice-presidente da -IDC-CDI e ministro-coordenador do Empoderamento Social da Indonésia; e Guilherme Afif Domingos, fundador do PSD, presidente do Conselho Consultivo da Fundação Espaço Democrático e secretário Especial de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo.

Painel teve mediação de Henning Suhr, da Fundação Konrad Adenauer
Tomas Zdechovsky enfatizou a importância da segurança para a Europa. “Hoje sofremos grande ataque da Rússia; os ataques não são apenas contra a Ucrânia”, disse.

Guilherme Afif Domingos, fundador do PSD, falando durante o Painel
Guilherme Afif Domingos narrou um pouco da própria história pela causa da micro e pequena empresa para fazer a sólida defesa da democracia econômica. “Sem ela, não há democracia política”, disse. Ele lembrou um pensamento do historiador francês Fernand Braudel para mostrar a importância do empreendedor. “Ele dizia que quem faz a história não entra para a história”, afirmou. “Quem faz a história são aqueles que são movidos pela própria necessidade”. Para Afif, não há liberdade econômica nem democrática onde as empresas são protegidas pelo Estado. “Onde há reserva de mercado há corrupção; onde há monopólio e oligopólio há corrupção ”, disse. “Temos sempre que defender mais Nação, menos Estado”.
Para o brasileiro Silvério Zebral Filho, da Universidade George Washington, há espaço para o Centro em um mundo de extremos. Ele apontou que existe um paradoxo no mundo atual: as preferências temáticas dos cidadãos são todas de Centro, mas eles são uma maioria silenciosa.

Maria Eugenia Vidal, do partido Proposta Republicana, da Argentina, Mariana Gómez del Campo (México), presidente da Organização Democrata Cristã das Américas, e Gilberto Kassab
Em sua fala, o búlgaro Andrey Kovatchev abordou a importância das big techs e como elas têm sido enquadradas na Europa. “Nós precisamos proteger a democracia daqueles que estão usando a própria democracia para destruí-la”, afirmou.
Populismo
O último painel do dia, “Soluções realistas para problemas complexos”, teve a moderação do ex-deputado federal Vilmar Rocha, fundador do PSD e integrante do Conselho Curador do Espaço Democrático. Participaram dos debates o vice-presidente da IDC-CDI, Janes Jansa, ex-primeiro-ministro da Eslovênia; o secretário internacional do Partido Popular da Espanha, Ildefonso Castro; o consultor do Espaço Democrático e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Lucas Ferraz; a vice-presidente da IDC-CDI, Mariana Gómez del Campo, também presidente da ODCA (Organização Democrata Cristã das Américas), além de ex-senadora e ex-deputada federal, do México; o deputado federal Pedro Paulo Carvalho Teixeira, do PSD (RJ), relator do projeto de Reforma Administrativa em discussões na Câmara Federal; Diego Cagliolo, assessor internacional do partido Proposta Republicana, da Argentina; e Luis Abinader, presidente da República Dominicana, que fez uma manifestação por vídeo. O crescimento do populismo no mundo dominou os debates.

Mariana Gomez del Campo, da Organização Democrata Cristã das Américas
Janes Jansa destacou o desafio de criar melhores condições de vida para as pessoas diante da abordagem populista, que se concentra na distribuição de favores.
O espanhol Ildefonso Castro tratou do tema da imigração, que é um dos mais graves problemas europeus. Para ele é um problema que vai permanecer na agenda por muito tempo. ”É necessário atacar as causas da imigração a longo prazo”, defendeu, acrescentando que, do seu ponto de vista, essas causas são a falta de liberdade e democracia, que levam à falta de oportunidades.
A mexicana Mariana Gómez del Campo abordou a questão da segurança pública em sua fala. Alertou para a grave infiltração do narcoterrorismo na política: só ao longo do primeiro ano de mandato da atual presidente, 10 prefeitos mexicanos foram assassinados. Defendeu que a América Latina tenha uma lista de narco-políticos para combater a entrada do tráfico na política.

Dirigentes e lideranças partidárias acompanham debates
O consultor do Espaço Democrático Lucas Ferraz apontou que o populismo sempre oferece um pacote de soluções falsas. “É necessário descer do palanque e enfrentar os problemas com técnica”, disse. Ferraz fez um breve histórico sobre o desmonte da globalização, que está em curso. Lembrou que foi esta mesma globalização que tirou 1,5 bilhão de pessoas da linha da pobreza em algumas décadas, mas que agora é apontada principalmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o vetor da crise do emprego médio. “A principal razão não é a globalização, mas o desmonte do sistema de seguridade social que começou ainda no governo de Ronald Reagan”, disse. “E o tarifaço de Trump está levando ao aumento do desemprego”.

Mesa de atividades na sexta-feira (21)
Diego Cagliolo, assessor internacional da Proposta Republicana (PRO), da Argentina, contou sobre como o seu país tenta deixar décadas de populismo. “Nenhuma proposta seria possível na Argentina sem a participação do PRO”, disse, enfatizando a busca do país por organização econômica, equilíbrio fiscal, modernização do Estado, combate à inflação e à corrupção.
O deputado federal Pedro Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, falou sobre o projeto de Reforma Administrativa que tramita na Câmara e do qual é o relator. Ele enfatizou que a reforma é prioridade para o Estado brasileiro, que precisa ter capacidade efetiva de produzir resultados para as pessoas. “Pesquisas mostram que 50% das pessoas enxergam os serviços públicos brasileiros como muito precários”, disse. Ele destacou que o projeto que está relatando trata dos três níveis de governo. “São muitas medidas ousadas, mas que exigem convergência no parlamento, o que é um grande desafio”.

Pedro Paulo, deputado federal (PSD-RJ), é relator da Reforma Administrativa
Vilmar Rocha, que moderou os debates, destacou também que o evento “fortalece a cooperação internacional e o debate sobre democracia, desenvolvimento e os rumos da política no cenário mundial”.

Vilmar Rocha fez a moderação da terceira mesa
Eleição de nova direção da IDC: Antonio Brito vice-presidente
No sábado, a IDC-CDI organizou sua Assembleia Geral e encontro do Comitê Executivo da entidade, com a eleição de sua nova direção. Antonio Brito, líder da bancada do PSD na Câmara Federal, foi eleito vice-presidente da entidade. Também foi reconduzido ao comando da entidade o ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana, e à secretaria-geral o eurodeputado Antonio Lópes-Istúriz.
Na reunião do Comitê Executivo foram aprovadas 15 propostas levadas a votação, entre as quais a “Declaração de São Paulo”, apresentada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que defende a adoção de uma “Concertação Política Democrática”, mecanismo de articulação política e social voltado à formação de consensos mínimos em sociedades pluralistas.

Mesa de evento da IDC-CDI no sábado (22)
Em sua fala, Andrés Pastrana enalteceu o fortalecimento da IDC-CDI, que ganhou no encontro do Brasil dois novos integrantes: a Convergência Nacional Venezuela, cujo presidente, Biagio Pileri, está preso há mais de um ano pelo regime de Nicolás Maduro, e o Europe Now, partido do atual primeiro-ministro de Montenegro – país dos Balcãs , Milojko Spajić. “Nossos partidos impulsionam a democracia no mundo”, disse. “Estamos aqui para mudar a política, enfrentar as ditaduras populistas”.

Andrés Pastrana: presidente da IDC-CDI foi reconduzido
O novo quadro de 16 vice-presidentes tem, entre outros, Antonio Brito (PSD) Brasil, Mariana Gómez del Campo (PAN), do México, Alfredo Barnechea (Ação Popular), do Peru, Maria Eugenia Vidal (PRO), da Argentina.
O encontro também contou com mensagens enviadas por vídeo de lideranças como María Corina Machado, ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, e José Maria Aznar, ex-primeiro ministro da Espanha, do Partido Popular.
Também se somaram outras atividades para os brasileiros e visitantes de dezenas de países estrangeiros, incluindo uma visita ao MASP (Museu de Arte de São Paulo) e ao Museu do Ipiranga.

Participantes tiveram também atividades culturais, como visita ao Museu do Ipiranga
Declaração de São Paulo
Na manhã de sábado, a reunião do Comitê Executivo do IDC-CDI aprovou 15 propostas, de partidos de países como México, Camboja, Albânia, Indonésia, Cuba, Venezuela e Tanzânia. A proposta brasileira, a “Declaração de São Paulo” foi apresentada por Kassab, e muito elogiado por Pastrana. “Ele não é apenas um hábil articulador político, mas uma pessoa preocupada com o país, à procura de consensos e soluções”, afirmou.
Kassab detalhou a proposta de Concertação Democrática, estruturada em cinco eixos estratégicos: governabilidade e reforma política, desenvolvimento econômico sustentável, políticas sociais, modernização do Estado e transição energética.

Encontro teve representantes de todo o mundo
